14 Maio 2008

apenas uma vez


Apenas uma vez # 2006
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É bom quando guardamos um tempo para nós mesmos. No meu caso, gosto de ocupar meu tempo reservado com filmes, de preferência os bem leves. É uma pena saber – uma quase certeza – que o cinema da cidade não vai ter este filme em cartaz. Mas tenho meus métodos de escape.
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E num desses momentos meus, assisti este drama alternativo irlandês que mistura música e romance, mas que foge da linha piegas que existe por aí. Pouco tempo de produção, baixo orçamento, o autor irlandês John Carney, dois atores em cena - o cantor Glen Hansard, da banda The Frames, e a música checa Markéa Irglová, ou melhor - O homem e a mulher. O que o autor quer passar com isso é – “Quantas vezes você encontra a pessoa certa?”.
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Até aí ninguém daria nada.
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Agora imagine um filme modesto e pequeno, com cantores/músicos de verdade e não atores, que constroem nas entrelinhas e no não-dito uma afinidade musical com toques de piano e violão, deixando que as letras das músicas falem por eles. Singular e original, a partir do uso mais comum e antigo que os apaixonados dão à música – o de falar por eles, como se fosse por acaso, aquilo que eles não podem ou não conseguem dizer.
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E para me deixar satisfeita, nada melhor que um bom drama, com um bom repertório musical e uma pitada de romance – soa arte. Seja ela arrastando o aspirador pela rua insistindo para estar com ele; ela saindo de pijama para comprar pilhas para o discman e continuar ouvindo e colocando letra na música dele. É de uma delicadeza de encher os olhos.

Uma boa história, que pra mim, vale ver e ouvir mais uma, duas...
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[dika]

13 Maio 2008

flowers in the window



... 'Uau! Olhe para você agora. Flores na Janela. É um dia tão encantador. E eu estou contente que você sinta o mesmo. Então apenas se levante, na multidão. Você é uma em um milhão. E eu te amo tanto. Vamos ver as flores crescendo.
Não há nenhuma razão para se sentir mal. Mas há muitas estações para se sentir contente, triste, louco. É só um monte de sentimentos que nós temos. Para aguentar, mas eu estou aqui para ajudá-la com o peso'.


Ouvir Travis me faz tão bem.

[dika]

09 Maio 2008

velha infância

Foto [Francis Leonardo Cirino]
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Como poderão sonhar com uma pátria descente se estão a maltratar ao invés de educar nossos pequeninos?
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[dika]

07 Maio 2008

hello stranger

Mais uma vez, todos passaram perto demais do amor.
E o amor existe? Você já o viu? Já o tocou? Já o sentiu?
Por favor, nada de metáforas românticas.


Alice - Eu não te amo mais.
Dan – Desde quando?
Alice – Agora. Agorinha. Não quero mentir... E não posso contar a verdade... Então está tudo acabado.
Dan – Não importa. Eu te amo. Nada disso importa.
Alice – Tarde demais. Eu não te amo mais. Adeus.

[...]



Alice – Vou contar a verdade. E você pode me odiar.
Alice – Larry e eu transamos a noite toda. Eu adorei. Eu gozei.
Alice - ... Eu prefiro você. Agora saia.
Dan – Eu já sabia. Ele me contou.
Alice – Você sabia?
Dan – Eu queria ouvir de você.
Alice – Por quê?
Dan – Ele podia ter mentido. Você não.
Alice – Eu não teria te contado. Você nunca me perdoaria.
Dan – Perdoaria. Eu perdoei!
Alice – Por que ele contou?
Dan – Porque ele é um babaca!
Alice – Como ele pôde?
Dan – Para que isso acontecesse.
Alice – Mas por que me testar?
Dan – Por que sou um idiota!
Alice – Sim.
Alice - Eu teria te amado... pra sempre. Agora saia.
Dan – Não faz isso. Fala comigo.
Alice – Já falei. Fora!
Dan – Você entendeu mal. Eu não queria...
Alice – Queria sim.
Dan – Eu te amo!




Alice – Onde?
Dan – O quê?
Alice – Me mostra! Cadê esse amor?
Alice – Eu não o vejo. Eu não posso tocar nele. Eu não sinto. Eu te ouço. Escuto umas palavras... Mas não posso fazer nada com suas palavras vazias. Diga o que disser. É tarde.
Dan – Não faz isso!
Alice – Está feito.
Dan - O que faz quando não ama mais?
Alice - "Eu não te amo mais, adeus!"
Dan - E se você ainda ama?!
Alice - Não vai.
Dan - Nunca abandonou ninguém que ainda amava?
Alice - Não!


E essa história termina para outra começar...
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Closer é o filme que não vai sair da minha cabeceira. Com diálogos que são um verdadeiro chute na bunda daqueles que estão sonhando. Perto demais. Tão perto que talvez seja o mais verdadeiro final das histórias de amor.
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Closer - Perto Demais # 2004

[dika]

05 Maio 2008

sentimento ímpar


Tenho mania de dizer que isso é meu, aquilo é meu. Tem pessoas - insensíveis - que acham isso uma doença. Dizem ser o pior dos sentimentos, sem falar que anda de mãos dadas com o ciúme. Já escrevi aqui no blog que sou ciumenta. E a pouco tempo atrás o coitado do meu sentimento ímpar foi usado como desculpa pelo fim do meu romance. Enfim, já tem outras pessoas que parecem precisar disso. Gostam de ter e dizer - 'é meu'. É verdade que o sentimento de posse perante objetos e pessoas - lá fora - vem da falta de segurança emocional - de dentro.
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Mas eu não vejo mal nenhum dizer: 'Esta é a minha família. Esta é a minha casa. Este é o meu trabalho. Estes são os meus amigos. Esta é minha música. Este é o meu blog. Este é meu texto. Esta é a minha cidade. Este é o meu país.' A diferença é que este sentimento de posse leva como recheio uma quantidade infindável de amor. E isso eu tenho. De amor? Sim. De Posse? Talvez. Entretanto não acho feio ser possessivo. Feio é não se importar com nada. E esta opinião é minha.
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[dika]

01 Maio 2008

magia nº256

Entrei, cinco passos frios, um olhar infantil, uma arquibancada vazia, um lugar iluminado, o saco de pipoca na mão, três segundos de escuridão, uma música envolvente e temerosa.
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- Não, não sou feliz, é essa maquiagem que ilude e me esconde.
A bailarina se foi e o palhaço trancado no camarim, a criança esperando um alegre espetáculo.
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- Não, não há ninguém para fazer rir, apenas um garoto solitário, não vou me apresentar hoje.
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O palhaço, o homem maquiado de felicidade, traz consigo a dor de um dia escuro e mal resolvido, seu olhar é raso e seu coração muito machucado.
Devorei a pipoca, a música envolvente parou, o momento era aquele, ouvi passos largos, fechei os olhos, queria uma surpresa, abro os olhos e me assusto.
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- Desculpe o palhaço não vai se apresentar hoje garoto vá embora vá brincar com as outras crianças.
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Abaixei a cabeça e sai pensativo, sabia que aquele olhar não me era estranho, mas o palhaço deveria não estar animado para me fazer feliz, corri para casa e nunca mais acreditei na magia daquele lugar.
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- Como pude ser tão cruel com a minha única platéia, mas não podia continuar a encenar a gloriosa felicidade.
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O palhaço e o menino, mal sabiam eles que o que buscavam e o que renunciavam machucava um ao outro pois um era o outro.
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By Camila Passatuto

14 Abril 2008

do seu lado


Julieta! Ah Julieta!

Meu jeito desarrumado, surrado e simples parecia ainda mais simples perto das suas jóias e cetins. Minha miséria ofendia e excitava ao mesmo tempo tua educação fina. Minha casa suja com roupas, tintas, discos e livros jogados pelos cantos te interessava. Minha barba por fazer ao roçar sua pele lisa e macia sempre te fez voltar aqui para sentir o roçar mais uma vez. Minha comida gordurosa e temperada agredia teu paladar refinado enquanto teu corpo sorvia bonito minha marginalidade.
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Lembra dos ratos Julieta? Os nossos voyeurs pestilentos? Sua agonia constante daquelas pequenas e rápidas coisinhas escuras que passeavam pelos cantos da parede? O pior é que nem cama tinha para subir. No máximo tinha o colchão jogado ao chão, suspenso por um estrado de madeira menor do que ele. Colchão este que parecia um obra abstrata com desenhos causados pelos mais variados flúidos corporais. E um tal quadro que também refletia sua beleza depois de tê-la pintado. Ah Julieta, aquele tempo...
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Você lembra, Julieta? Eu acabei com os ratos. Matei um a um com satisfação. Vã ilusão Julieta. Achava que fosse morar comigo. Abandonar o teu luxo pornográfico por nós. Esperei tanto Julieta, mas agora...
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Mas agora Julieta, você foi embora. Cansou de mim e partiu, me chamou de covarde e disse que me traiu, bateu a porta na minha cara me mandando pra puta-que-o-pariu! Você me feriu!
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É Julieta... O que acalma um pouco a exaltação de meu ânimo é a impressão de que sua partida foi providencial.
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Julieta, os ratos voltaram. Eles nunca me abandonaram.


[dika]

[texto já postado por mim no hipo]

07 Abril 2008

evoluções por minuto

Por um minuto percebo como é incrível a capacidade que temos de evoluir. Um dom ao qual não nos pode ser tirado. É como diz o ditado: “podem me tirar tudo menos meus conhecimentos”. Já o mundo, nem se fala. É tudo muito bonito com muita luz, muitos aviões a navegar a novecentos e trinta quilômetros por hora, pessoas tirando férias no espaço, enfim, e muitas fábricas a produzir tecnologias que nos facilitam a nossa existência. Isto é que é um planeta. Foi-se o tempo em que trepávamos em árvores e comíamos bananas. Mas quando vejo que ainda continuamos jogar a casca no chão...

04 Abril 2008

o ministério da saúde adverte:


Antes que você ache alguma coisa, eu não fumo. Também nunca liguei para campanhas contra o consumo de tabaco. Não dependo deles. Aliás, dependemos do coração e do oxigênio, por exemplo. Mas do cigarro? Ninguém. Nem o fumante mais compulsivo.

Qualquer fumante percebe, logo ao primeiro cigarro, que aquele fumo todo para dentro do organismo não pode dar bom resultado. Se o problema vai para os joelhos ou para os pulmões, é para o fumante completamente indiferente. Se a morte é o resultado, pouco importa a equação, ele tem é de sacar a parcela.

Tem pessoas que estão numa hora dessas “deixando” de fumar, mas ainda está naquela fase de olhar para o cinzeiro e pensar que, agora já não precisa dele.

Pois bem, sem massagens de comprimidos e sem comentar sobre pastilhas, fume o quanto quiser. O ideal é meter a máquina fotográfica ao pescoço e se preparar para ir tirar fotografias ao lado do todo-poderoso.

Mas se você não quiser subir tão cedo, o melhor é ter cuidado para não topar numa dengue com tosse.

[dika]

03 Abril 2008

afinal, estamos num país de...



Sou fascinada com o som de violino.
E comparando o instrumento com o poder dá-se para notar que estão, sem dúvida, longe de serem brasileiros. Quando se tem um violino nas mãos, toma-se com a esquerda e toca-se com a direita. E vice-versa se estivermos num país de canhotos. Assim acontece com o poder. Num mundo capitalista, onde a direita impera, qualquer esquerda perde a confiança dos investidores, acabando na desgraça econômica e, assim, voltando ao ciclo vicioso de sempre.

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Mas afinado, um violino é um som fabuloso.
O Brasil é fabuloso.
Mas pensando bem, o que acontece num país de manetas?
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[dika]

31 Março 2008

sem título, sem nada - parte II

O que dizer de um dia chuvoso como este?

Frio, olhar fixo para o teto e pensamentos que se misturam com as letras da melodia que ultrapassam meus típanos. Presto atenção na letra e me reflete o sorriso, depois o choro e em certos momentos o silêncio. Mas a música não pára e nem o barulho de chuva lá fora. Inspiração para um poeta. Destreza para um pintor. Tranquilidade para um estressado. Feliz do infeliz. Azar daquele que não teve a chance. Normal para mim.


Daqui a diante darei valor ao mais simples e deselegante momento. Simples palavras também. Farei por mim o que ninguém faz. E nem pode fazer. Hoje não quero sair daqui por nada. O frio, a música e os reflexos estão caindo como chuviscos. E estou sentindo na pele.


[dika]

{até pareço uma adolescente usando a chuva como pretesto para um bom drama}